25 Maio 2026

O Xadrez do Draft da NBA: O Recuo de Moreno e a Luta Cerrada pelo Topo

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A contagem decrescente para o draft da NBA traz sempre uma dose saudável de imprevisibilidade aos bastidores da liga. Enquanto alguns prospectos tentam forçar a entrada na elite a todo o custo, outros acabam por perceber que o processo de maturação ainda exige um pouco mais de paciência no basquetebol universitário. Foi exatamente esse o caso de Malachi Moreno. O poste caloiro de Kentucky, que a ESPN colocava na 36ª escolha das suas projeções mais recentes, decidiu retirar o nome da calha antes do fecho do prazo da próxima semana. Moreno usou as redes sociais no domingo para anunciar que vai ficar na escola mais um ano, uma autêntica lufada de ar fresco para a equipa do treinador Mark Pope, que bem precisava de um tónico destes depois da eliminação prematura na segunda ronda do torneio da NCAA. Estamos a falar de um miúdo que provou o seu valor, agarrando um lugar na equipa ideal de caloiros da SEC à boleia de médias de 7,8 pontos e 6,3 ressaltos nos 30 jogos em que saltou para o campo a titular pelos Wildcats.

Se ali no meio da tabela há quem prefira jogar pelo seguro e recuar, lá no topo a conversa é outra e as vagas custam o seu peso em ouro. Olhando já para a classe de 2026, onde os Washington Wizards e os Utah Jazz deverão ter as duas primeiras escolhas, a discussão sobre quem vai ouvir o nome chamado primeiro tem feito correr muita tinta. Durante meses a fio, a narrativa parecia presa a um inevitável duelo a dois entre AJ Dybantsa e Darryn Peterson. Mas convém não deitar já os foguetes e arrumar as fichas todas nessas duas opções, porque Cam Boozer e Caleb Wilson estão ali à espreita para baralhar as contas. Há imenso tempo que esta fornada do draft recebe elogios pela abundância de talento na sua cúpula, existindo um consenso bastante claro de que este grupo de quatro jogadores vive num patamar à parte. Depois deles, há um fosso gigantesco de qualidade até se chegar ao resto do pessoal da lotaria.

No meio deste quarteto, a situação de Cam Boozer é capaz de ser a mais fascinante de dissecar. Após uma época de estreia absolutamente brutal ao serviço de Duke, o extremo transformou-se no queridinho da malta da estatística avançada. Se formos vasculhar os modelos analíticos das equipas que andam a avaliar a fornada, o nome dele salta para o primeiro lugar sem pedir licença, muito por culpa de uma eficácia e produção que metem respeito. É difícil ignorar um caloiro que entrega 22,5 pontos, 10,2 ressaltos e 4,1 assistências por jogo. O que é que faz, então, as equipas hesitarem e não lhe darem a chave da franquia de olhos fechados? Instala-se o receio crónico de que o teto de evolução dele seja mais baixo do que o de malta como Dybantsa e Peterson, a par de um certo ceticismo sobre a forma como o jogo dele vai encaixar na fluidez tática da NBA moderna. Ainda assim, nos corredores da liga, não faltam olheiros e dirigentes a sussurrar que Boozer é a aposta mais segura do lote, agarrando-se aos números frios para provar que o talento puro, quando nos bate de frente, não precisa de grandes invenções.