Drama, Ambição e História: Um Dia de Contrastes no Open da Austrália
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O dia de quinta-feira em Melbourne Park ficou marcado por uma mistura explosiva de tensão, resiliência e feitos históricos, demonstrando que o Open da Austrália de 2026 continua a surpreender. Desde desentendimentos na rede entre antigas rivais até à consagração da longevidade de lendas vivas, o torneio segue a todo o gás.
Tensão na rede entre Osaka e Cirstea
O ambiente aqueceu, e não foi apenas devido ao verão australiano, no final do embate entre Naomi Osaka e Sorana Cirstea. O encontro, que culminou com a vitória da tenista japonesa pelos parciais de 6-3, 4-6 e 6-2, terminou de forma amarga junto à rede. Cirstea, visivelmente incomodada, protagonizou um cumprimento gélido, chegando mesmo a bater na mão de Osaka antes de marchar em direção ao árbitro de cadeira, deixando a vencedora perplexa a questionar o sucedido.
A tenista romena, que anunciou em dezembro que a temporada de 2026 seria a sua última no circuito profissional, não apreciou a forma efusiva como Osaka se motivava em campo. “Aparentemente, ela ficou irritada com os meus constantes ‘C’mons’, mas enfim”, comentou Osaka na entrevista pós-jogo, desvalorizando o incidente. A japonesa, atual 16.ª cabeça de série e duas vezes campeã em Melbourne, lamentou que a despedida de Cirstea do torneio australiano tenha terminado desta forma, mas sublinhou que apenas tentou dar o seu melhor. Com este triunfo, Osaka quebra um enguiço que durava desde 2021, avançando para a terceira ronda, onde enfrentará Maddison Inglis.
A esperança britânica contra a “muralha” Zverev
Enquanto a polémica dominava o quadro feminino, no setor masculino, Cameron Norrie confirmou o estatuto de último resistente do ténis britânico em singulares. Conhecido pela sua consistência — falhou o acesso aos 32 melhores num Major apenas três vezes nas últimas 15 participações —, Norrie superou o americano Emilio Nava numa batalha de quatro sets. O desafio que se segue, contudo, é de uma magnitude superior: Alexander Zverev.
O histórico não favorece o britânico, que perdeu todos os seis encontros anteriores contra o terceiro cabeça de série. No entanto, Norrie encara o duelo com um otimismo renovado. “Acho que o posso incomodar, sem dúvida”, afirmou o tenista, ciente de que precisará de um encontro perfeito de quatro horas para ter hipóteses. Após uma fase complicada na primavera passada, onde quase saiu do top 100 devido a lesões, Norrie sente-se mentalmente forte e confiante na sua devolução de bola. Recordando o apoio ruidoso que recebeu contra Nava, o britânico espera que a atmosfera na sessão noturna jogue a seu favor, tal como aconteceu há dois anos em Melbourne, quando causou dificuldades a Zverev nos oitavos de final.
A lenda de Wawrinka desafia o tempo
Se Norrie procura a afirmação, Stan Wawrinka continua a reescrever a história. Numa jornada épica de 4 horas e 33 minutos — a mais longa do torneio até ao momento —, o suíço de 40 anos tornou-se o primeiro tenista com mais de 40 anos a atingir a terceira ronda de um Grand Slam desde Ken Rosewall, no Open da Austrália de 1978.
O campeão de 2014 teve de recorrer a toda a sua experiência para superar o jovem Arthur Gea, de 21 anos. O encontro foi uma verdadeira montanha-russa, com parciais de 4-6, 6-3, 3-6, 7-5 e 7-6 (3). No decisivo tie-break do quinto set, a juventude cedeu perante o físico, com Gea a debater-se com cãibras enquanto o veterano mantinha a compostura.
“Exausto!”, foi como Wawrinka descreveu o seu estado físico após o seu 49.º encontro de cinco sets em Majors — um recorde absoluto. Consciente de que este é o seu último ano no circuito de elite, Wawrinka agradeceu a energia do público, admitindo que, na sua idade, precisa desse empurrão extra. Quando questionado sobre a recuperação para o próximo embate contra Taylor Fritz, o suíço, com o seu habitual bom humor, recordou um espetador que tinha deixado cair uma cerveja durante o jogo e sugeriu que talvez fosse boa ideia beber um copo para celebrar.