Guerra por um fio na Crimeia – Ucrânia


Publicado em 1 de Março de 2014 13:09
Crimeia

A situação na Crimeia continua a aumentar de intensidade, com a constante ameaça de um conflito armado por causa da península, cuja população é maioritariamente russa


Navios ucranianos saíram dos portos para evitar captura numa altura em que forças russas já foram formalmente convidadas a “proteger” edifícios na Crimeia por parte do governo regional pró-russo.

A situação na Crimeia continua a aumentar de intensidade, com a constante ameaça de um conflito armado por causa da península que pertence à Ucrânia mas cuja população é maioritariamente russa.

Este sábado ambos os governos acusaram-se de provocações na Crimeia e sucedem-se as ameaças de parte a parte, com o parlamento russo a pedir ao presidente Putin para tomar “todas as medidas disponíveis” para estabilizar a região e “proteger o povo da Crimeia da violência e da tirania”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia diz que homens armados a mando de Kiev tentaram ocupar o Ministério do Interior da região autónoma da Crimeia, mas que os autodenominados Grupos de Defesa, pró-russos, os impediram. Moscovo fala na existência de feridos por causa destes confrontos.

Para além dos chamados Grupos de Defesa, há confirmação de que forças russas estão a ocupar ou a cercar muitos edifícios na capital da Crimeia, bem como alguns aeroportos. O primeiro-ministro da região, que é pró-russo, diz que as tropas russas foram autorizadas a “proteger” os edifícios pelo seu Governo.

O primeiro-ministro reivindica o controlo de todas as autoridades militares e policiais da Crimeia e apelou directamente a Vladimir Putin para auxiliar e “estabilizar” a região. Os oficiais que não queiram obedecer ao Governo regional da Crimeia são convidados a demitir-se.

Já o Governo ucraniano diz que a Rússia deslocou “recentemente” mais seis mil soldados para a Crimeia, isto depois de na sexta-feira ter acusado Moscovo de violar o espaço aéreo ucraniano. Há notícias, nas últimas horas, de movimentações por parte das forças russas para tomar pontos militarmente estratégicos na Crimeia, incluindo uma base de mísseis anti-aéreos. A agência russa “Interfax” diz que cerca de 20 soldados entraram na base para a tentar ocupar, mas não dá conta de combates nem feridos.

Também esta manhã vários navios militares ucranianos abandonaram os portos, alegadamente para evitar captura caso estes sejam ocupados pela Rússia.

A Rússia mantém na Crimeia um importante porto militar e tem, por isso, tropas estacionadas no terreno. Para além disso as forças armadas russas têm sido mobilizadas junto à fronteira da península da Crimeia.

O conflito assume também contornos económicos, com a empresa energética Gazprom, detida pelo Estado russo, a ameaçar cortar o fornecimento de gás à Ucrânia, reivindicando pagamentos em atraso. Durante o regime de Yanukovich a Rússia injectou muito dinheiro na economia ucraniana para evitar a bancarrota, mas essa generosidade terminou com a queda do seu aliado.

Entretanto o Governo ucraniano procurou colocar alguma água na fervura, dizendo que não vai responder às provocações russas pela força, mas continua a existir um grave risco de conflito e mantém-se viva na memória a invasão de partes da Geórgia, em 2008, quando a Rússia interveio para defender as regiões da Ossétia do Sul e da Abkhazia, cujas populações reclamavam independência e uma maior ligação a Moscovo.

Portugal já manifestou preocupação pela situação na Crimeia, bem como os EUA e, esta manhã, a Alemanha e a França, que pediu a ambos os lados que evitem mais medidas que possam fazer escalar a tensão.

A península da Crimeia tem sido disputada ao longo dos séculos. Foi invadida pelos nazis, na II Guerra Mundial, e, depois, integrou o regime Soviético. Contudo, em 1954, foi transferida por Nikita Kruschev para a esfera da Ucrânia.

A população nativa não é ucraniana nem russa: os tártaros são, actualmente, minoritários na Crimeia, tendo sido expulsos em massa pelos sucessivos governos russos, em particular, pelo regime soviético, por suspeita de simpatias e colaboração com os Nazis. Actualmente a maioria dos tártaros professa lealdade à Ucrânia e constitui o grosso da oposição à Rússia na Crimeia.

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